Plágio, homenagem ou simples coincidência?
Esse assunto
começou a me interessar quando li que o Led Zeppelin estava (mais uma vez)
respondendo um processo de plágio. Desta vez, o Led, como nos fãs o chamamos,
teria surripiado uns acordes da música “Taurus”, do grupo Spirit, uma música
composta por eles em 1968, e utilizado em “Stairway To Heaven”, clássico dos
clássicos da banda, lançado em 1971.
Se vocês não
sabem, o Led Zeppelin já respondeu diversos processos por pegar sem autorização
letras e músicas de diversos artistas, principalmente artistas americanos de
blues desconhecidos do grande público.
Não é nada
incomum encontramos diversos vídeos no Youtube ou mesmo artigos no Google
demonstrando esses empréstimos da banda.
Para mim, que
sou fã dos caras desde que tinha espinhas no rosto e me deliciava assistindo a
Sala Especial (os mais velhos sabem muito bem do que estou falando), nada disso
abala minha paixão por essa banda e suas músicas.
Porém, devido
aos meus princípios cristão-ocidentais, não posso negar que ao saber destas
histórias não deixo de questionar se é correto me calar e deixar que minha
paixão permaneça inabalável, ou, se, numa espécie de terapia, deveria avaliar
melhor isso.
Então, para
não crucificar somente o Led Zeppelin, resolvi pesquisar se outros grupos de
rock também estariam tomando emprestadas músicas dos outros.
E descobri
coisas interessantes, como por exemplo, no canal do grande guitarrista Ritchie
Blackmore, ex-Deep Purple, no Youtube, há um vídeo onde o próprio faz um
mea-culpa, mostrando algumas semelhanças entre as músicas do grupo e de outros
artistas, onde eles provavelmente teriam “se inspirados”.
Também achei
um vídeo no Youtube onde são mostradas músicas que determinados artistas, como
George Harrison, Nirvana, Radiohead, The Beach Boys, The Doors, etc, teriam copiado
de outros artistas.
Em alguns dos
casos, a questão foi para os tribunais e acabou que o perdedor teve que
indenizar o artista prejudicado. Como é o caso do processo movido pelos
advogados do grupo vocal The Chiffons, que acusaram George Harrison, que compôs
“My Sweet Lord”, de haver plagiado a canção “He´s So Fine”. Harrison perdeu o
processo em 1986 e teve que desembolsar cerca de US$ 580 mil.
Mas há também
casos curiosos, como é o da canção “Comes As You Are”, do Nirvana, que,
assumidamente, tomaram emprestado o riff da música “Eighteens”, do grupo
pós-punk Killing Joke. O líder da banda Jaz Coleman, disse que, numa conversa
com os membros do Nirvana, estes lhe confessaram ter roubado o riff da música,
e que, ao assumirem isso, para ele já era o bastante. Assim, o caso nem foi
para os tribunais.
É comum
ouvirmos relatos de artistas confessarem que determinada música foi feito a
partir da audição de uma canção, ou parte dela, de outro artista. Isso seria
apenas uma inspiração ou uma homenagem, pois, na maioria das vezes, a música
causou um impacto naquele artista.
O caso mais
curioso que fiquei sabendo foi relatado por Glen Matlock, ex-baixista do Sex
Pistols, que disse ter usado um trecho de uma canção do ABBA no riff da música
“Pretty Vacant”, porém, com o andamento mais rápido.
ABBA e Sex
Pistols pertenciam há universos tão diferentes que é impossível imaginarmos que
um poderia ter influenciado o outro.
Mas, na música
pop tudo é possível.
Quem impõe que
determinada coisa não tem relação com a outra somos nós, porque, de fato, um
artista, seja ele do estilo musical que for, está aberto a absorver tudo, e
aproveitar tudo que está disponível e incorporar à sua arte.
Se não fosse
assim, grandes músicos como Frank Zappa, Keith Emerson, Jon Lord, Robert Fripp,
entre outros, não teriam escolhido o rock para se expressarem, uma vez que o
caminho natural para eles seria terem sido músicos clássicos, pois, todos, sem
exceção, tiveram formação clássica; mas, por algum motivo, ao cruzarem com o
rock and roll, mudaram suas trajetórias artísticas.
Voltando à
questão do plágio, será que existe talvez uma linha muito tênue que separa o
que é uma cópia, uma homenagem ou uma inspiração?
Determinado
artista ao usar um trecho de uma música de outro estaria copiando, homenageando
ou se inspirando nela?
Estas
reflexões esbarram na dureza da lei e suas consequências.
Na verdade,
existe “uma jurisprudência que define o plágio a partir do uso de sete
compassos praticamente idênticos a um trecho de uma canção antecedente”. (Melhor
eu citar a fonte antes de me acusarem de plágio. fonte:
www.collectorsroom.com.br).
Então, me
parece que a intenção por trás da ação é que determina o que é uma coisa ou
outra.
E se houve ou
não a intenção do artista em se beneficiar da utilização da música de outro,
isso cabe aos juízes decidirem. E, se for o caso, punirem.
Agora, eu não
acredito em coincidências. Que uma música coincidentemente se parece com outra,
apesar de tudo nascer a partir de somente sete notas musicais.
Em minha
opinião, se uma música se assemelha a outra, não é coincidência. Porque sempre
pode haver a intenção de se fazer aquilo, e, é claro, ganhar um bom dinheiro
com isso, mesmo que depois se tenha que desembolsar parte dele para pagar um
processo judicial.
O que não quer
dizer que não possa haver músicas parecidas, e que ocasionalmente não teriam
nenhuma relação entre si.
Isso pode ser percebido muito bem
ouvindo Blues. Muitas músicas são feitas a partir dos mesmos quatro compassos,
porém, não significam que foram copiadas umas das outras.
Creio que por
trás das aparências, está sempre a intenção. E isso não é de forma alguma uma
coisa que se deva descartar.
Assim, no caso
do Led Zeppelin, cheguei à conclusão de que Jimmy Page & Cia tiveram sim a
intenção deliberada de copiar as canções de que são acusados de terem plagiado,
tanto nas letras como nas músicas, o que é de fato muito mais grave.
No livro
“Quando os Gigantes Caminhavam Sobre a Terra” (Mike Wall, Editora Larousse),
que conta a história da banda, Jimmy Page diz que no início Robert Plant tinha
dificuldades em compor. O próprio Plant admitiu que só venceu as barreiras da
timidez e começou a compor mesmo a partir do terceiro álbum.
Isso pode
explicar o motivo deles terem feito o que fizeram, gostem ou não os fãs em
saber disso.
Apesar do
grupo ser britânico, essa atitude me lembra muito a dos brasileiros. Parece-me
que houve uma certa malandragem por parte da banda, apesar deles nunca terem
assumido isso publicamente.
Seja como for,
os fãs do Led Zeppelin e de todos estes grandes artistas estão sempre dispostos
a perdoar estes pecados.
Nunca ouvi
ninguém dizer que deixou de ouvir determinado grupo ou artista depois que soube
de certas atitudes nesse sentido.
Muito pelo
contrário, o número de fãs destes grandes artistas só aumenta ano após ano, e
gerações após gerações tomam contato com suas canções e estão se lixando se
elas foram plagiadas ou não.
Há um jargão
que diz assim: “o mundo é dos espertos”. E há outro, que ficou muito famoso
aqui no Brasil, e que foi utilizado numa propaganda de cigarros nos Anos 1970,
protagonizada pelo grande jogador Gerson, que diz assim: “O importante é levar
vantagem, certo?”.
Parece-me que
estes dois jargões estão no âmago desta questão. E que resumidamente isso quer
dizer que quem foi esperto levou vantagem sobre o outro, faturando alto com o
uso (indevido, na maioria das vezes) da obra de outro autor, no caso em
específico, da música ou um trecho dela.
Não é minha
intenção julgar se é correto ou melhor, se foi correto por parte de quem quer
que seja ter usado deste expediente. Isso cabe a cada um. E, em último caso,
como disse, cabe à justiça.
De minha parte,
quando ouço uma canção que sei que foi criada a partir de uma outra, para não
dizer que foi plagiada, eu penso o seguinte: se era tão boa, porque, em sua
maioria, estas músicas permanecem na obscuridade?
Para isso, eu
ainda não tenho uma resposta conclusiva. Porém, não sou idiota e não descarto
os mecanismos da indústria da música em promover este ou aquele artista, em
detrimento de outros.
A verdade é
que prefiro não pensar muito nisso, para não passar a ouvir certas músicas de
forma racional, e não mais emocional, como tenho feito há muitos anos.

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