A cobertura da mídia nos escândalos de corrupção no Brasil
A partir do início dos trabalhos do
Supremo Tribunal Federal, diariamente, seremos bombardeados por notícias sobre
o julgamento do que ficou conhecido como “mensalão”, que seria um suposto
esquema de corrupção denunciado em 2005 pelo então Deputado Roberto Jefferson
(PTB).
Paralelo ao julgamento do mensalão,
a Câmara Federal dará prosseguimento à CPI do Cachoeira, como foi batizada a
Comissão que investiga as ligações do bicheiro Carlinhos Cachoeira com
parlamentares.
Enquanto estes dois assuntos
ganharão os editoriais dos principais jornais impressos, sites e jornais
televisivos, outro escândalo passa despercebido e não é noticiado pela grande
imprensa: a Privataria Tucana, denunciada no livro do jornalista Amaury Ribeiro
Jr.
Para quem nunca ouviu falar deste
livro - até porque a grande imprensa nunca deu destaque a ele – trata-se de um
trabalho de investigação utilizando somente documentos públicos, onde o autor denuncia
irregularidades nas privatizações realizadas pelo governo do ex-presidente
Fernando Henrique Cardoso (FHC).
Também passa despercebido a denúncia
feita pelos jornalistas Maurício Dias e Leandro Fortes, da revista Carta
Capital, sobre o Mensalão do PSDB, ocorrido entre 1998 e 1999, e que, segundo
documentos apresentados pelos autores, movimentou cerca de R$ 104 milhões. A
denúncia cita até um dos ministros do Supremo Tribunal Federal, Gilmar Mendes.
Enquanto a grande
imprensa finge que o livro do Amaury Ribeiro Jr. não existe e a denúncia da
Carta Capital também não, continua blindando FHC, o PSDB e principalmente o
candidato a prefeito em São Paulo, José Serra.
Neste momento, parte da imprensa
denominada pelo jornalista Paulo Henrique Amorim como PIG (Partido da Imprensa
Golpista), trabalha para proteger um dos seus membros, no caso, a revista Veja,
uma vez que Policarpo Júnior, editor da revista, ao que tudo indica, estava
intimamente ligado ao bicheiro Carlinhos Cachoeira.
Já os envolvidos no mensalão
serão espinafrados por essa mesma parte da imprensa que se diz defensora da
verdade.
Então, a questão
é a seguinte: a grande imprensa age de forma desigual e parcial nestas questões
que se assemelham muito, pois, no fundo, trata-se de recursos públicos que
foram amealhados por políticos e empresários desonestos.
Longe de querer
defender quem quer que seja - até porque quando se erra tem que se arcar com as
conseqüências do erro - gostaria apenas que houvesse o mesmo tratamento por
parte da imprensa em relação a questões que são de interesse da população e que
podem influenciar de forma incisiva o pleito de outubro próximo.
Mas,
infelizmente, no fundo eu sei que isso é impossível de acontecer porque, de
fato, parte da grande imprensa está atrelada aos interesses de alguns políticos
e empresários que, diferentemente do que pregam, querem de verdade dilapidar o
patrimônio público e ter o máximo de vantagens em suas relações (escusas) com
os meios de comunicação, que tem pouco ou nenhum comprometimento com a verdade
dos fatos; com isso, prestam um desserviço à nação, à opinião pública e à
democracia.
Em tempo: recentemente, Amaury
Ribeiro Jr. prepara um novo livro, onde denuncia um suposto esquema de
arrecadação para financiar campanhas eleitorais – do PSDB - dentro de Furnas,
na época do então presidente Fernando Henrique Cardoso, batizado de “Lista de
Furnas”. Provavelmente, este livro também não será noticiado na grande
imprensa. Mas, quem se interessar por este e outros assuntos, acessem os sites:
www.conversaafiada.com.br, do jornalista Paulo Henrique Amorim, www.viomundo.com.br,
do jornalista Luiz Carlos Azenha, www.altamiroborges.blogspot.com, do
jornalista Altamiro Borges, www.advivo.com.br/luisnassif, do jornalista
Luis Nassif, entre outros, e informe-se sobre matérias que parte da grande
imprensa não noticia porque não tem comprometimento com a verdade e tem
interesses de que apenas um lado, ou um partido, seja massacrado pela opinião
pública.
Comentários
Postar um comentário