Para um Cãozinho Chamado Ozzy
Em um canil
em Mogi Mirim havia um cãozinho que ainda nem havia nascido e já era amado pela
minha esposa, Simone. Ela havia se apaixonado por ele quando estava sendo
gerado, e nem tinha um nome ainda.
Resolvemos
batizá-lo com o nome de Ozzy. Uma clara homenagem ao ex-cantor da banda de rock
Black Sabbath, Ozzy Osbourne. Mas, também um nome lembrado devido a uma foto de
um Shih-Tzu que havíamos visto num Pet Shop de um amigo nosso.
Ozzy veio a
ser o nome do nosso cãozinho da raça Bulldog Francês.
Assim que
nasceu, logo nos chegou às primeiras fotos do Ozzy, nosso cãozinho. Ficamos encantados.
Numa tarde de domingo, fomos até o canil conhece-lo, e voltamos radiantes de
felicidade. Ozzy era um cãozinho lindo, exibindo sua cor Fulvo, brincando com
dois filhotes da raça Fila.
Logo ele
estava na nossa casa. E se adaptou tão bem que nos causou surpresa. Havia certo
receio no fato de nosso outro cão, chamado Tufão, ou Tuff, ou mesmo Tufinho, conviver
com o novo morador. A princípio, Tuff não gostou muito da ideia, e chegou até a
ficar doente. Mas, com o passar do tempo, ele e Ozzy se tornaram bons amigos, e
podiam ser vistos brincando felizes pela casa.
Ozzy tinha
uma personalidade muito diferente da do Tuff. Enquanto Tuff era mais tímido, ansioso
e até certo ponto medroso, Ozzy era cara de pau, calmo e valente. Ele mal
chegou a casa e já se impôs, tomando conta do pedaço, por assim dizer.
Lembro-me de
uma cena logo nos primeiros dias que ele estava em nossa casa. Ele cercou e latiu
para o Tuff que, assustado, correu para debaixo da cama. Ozzy havia mostrado a
ele quem iria mandar dali para frente no território que ambos dividiriam.
Isso chamou
nossa atenção. Pois, Ozzy tinha pouco mais de dois meses de vida, e já mostrava
uma personalidade bem aguerrida, e até certo ponto, autoritária.
Ozzy na
verdade era muito competitivo. Não era raro vê-lo roubando a comida do pobre
Tuff, que nada fazia a respeito. Aquele cãozinho botava para quebrar. Sabia se
impor. E havia mostrado isso ao Tuff logo nos primeiros dias de convivência.
Mas acima de
tudo Ozzy era amoroso, mesmo com o Tuff. Várias vezes eu o vi brincando com ele,
correndo no nosso quintal ou mesmo dentro de casa. Nestas ocasiões, eu ficava
muito feliz, pois, a alegria dos dois era contagiante.
Com a relação
a nós, Ozzy tinha uma preferência pela minha esposa, Simone. Ela o amava e ele
sabia retribuir-lhe esse amor. Ele também me amava. Mas, amava muito mais minha
esposa. Eu posso dizer que os dois tiveram um caso de amor à primeira vista.
Ozzy tinha
um aspecto sereno, não era afobado, a não ser para comer, e adorava passear de carro
sendo carregado e pendurado na janela, olhando a paisagem. Ele não admitia ficar
no banco traseiro, junto com o Tuff. Não, ele queria e até protestava quando
não era carregado pela minha esposa. Assim, todos os passeios de carro com ele
foram sempre da mesma forma: debruçado na janela do carro, olhando a paisagem,
curioso e atento a qualquer coisa que lhe chamasse a atenção.
Outro traço
de sua personalidade era que ele não admitia ficar no nosso quarto se não fosse
em cima da nossa cama. Seus protestos eram logo sanados quando minha esposa, ou
eu mesmo, logo o colocava na cama, junto de nós. Ele adorava dormir junto com a
gente. E, nestas ocasiões, ele tinha que ficar encostado num de nós, para
sentir nosso calor.
Assim era o Ozzy.
Tudo isso me
vem à memória quando penso nele, agora que ele não está mais entre a gente.
Penso que muitas vezes fui injusto com ele, quando reclamava de seus cocôs pela
casa. Afinal, que mal poderia haver nisso? Penso nas muitas ocasiões em que o
carreguei no colo, falando coisas que ele nunca iria entender. Penso nas
inúmeras vezes que ele adormeceu aos meus pés, roncando e soltando puns. Penso
na sua alegria, que contagiava a casa toda. Penso nas muitas coisas que ele roeu,
como os sofás do meu escritório. Assim por diante.
Certamente,
esse cãozinho chamado Ozzy, que um dia entrou em nossas vidas, nos trazendo
alegria, enchendo nossa casa de vida, irá fazer falta.
Ele travou
uma batalha duríssima justamente na semana do carnaval. Ninguém deveria
sucumbir a uma doença no carnaval. Mas, quis o destino que o Ozzy, alheio às
folias de Momo, lutou bravamente pela sua vida. Sua breve vida. E mesmo com
toda a ajuda e empenho de nossa parte e das pessoas que o atenderam, ele não
resistiu e faleceu neste dia 8 de março, uma data tão importante para as
mulheres do mundo todo.
Não haverá
outro cãozinho como o Ozzy. Mesmo que num futuro próximo eu e minha esposa adotemos
outro “irmãozinho” para o Tuff, o Ozzynho, como nós o chamávamos, ficará para
sempre em nossas memórias. E, se realmente existir vida após a morte, nós
iremos nos reencontrar, e matar saudades do tempo em que convivemos juntos. Quem
sabe até ele nos possa perdoar pela nossa falha, especialmente pela minha falha,
e também, possa entender aquelas palavras que tanto dissemos a ele em vida:
- Ozzy, nos amamos muito você!
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