E por falar em Justiça....
Toda vez que vejo um crime
bárbaro na TV eu me pergunto: até quando vamos conviver com isso?
Muito se fala sobre o problema da
violência no Brasil. E muito se critica nosso sistema judicial. Alguns defendem
a Pena de Morte; outros a Prisão Perpétua. E sem falar na grande discussão que
é a Maioridade Penal. Como, um jovem de 16 anos pode votar, mas não pode ser
preso mesmo se tiver assassinado alguém?
A sensação que se tem é que os
problemas do Brasil são muitos e, alguns deles, de difícil solução.
Mas, antes de olharmos para a
Justiça no Brasil, vamos dar uma volta pelo mundo e analisar como são tratados
os crimes e os criminosos em outros países em relação à Pena de Morte e a
Prisão Perpétua.
Segundo um relatório da Anistia
Internacional divulgado em 2010, 58 países mantém em vigor a Pena de Morte para
todos os crimes. Entre estes países, estão Estados Unidos, Índia e Japão. Ainda
segundo o relatório, a Rússia aboliu a Pena de Morte para a prática de crimes
comuns, e países como o Brasil, Bolívia, Chile e Peru, aboliram para crimes
comuns. E a grande maioria dos países, aboliu a Pena de Morte para todo tipo de
crime.
Quando falamos de Prisão
Perpétua, a grande maioria dos países do mundo mantém esse regime de punição.
Somente uma minoria, entre eles Brasil, Uruguai, Bolívia, Colômbia e Venezuela,
não a adotam.
É bem verdade que no Brasil a
Pena de Morte é prevista, mas, somente para crimes excepcionais, crimes
militares em tempo de guerra. E também a Prisão Perpétua não poderá ser
adotada, por ser inconstitucional (Constituição Federal, Capítulo I -. Dos
direitos e deveres individuais e coletivos, art. 5º).
Enquanto se debate - nos botecos
e programas sensacionalistas de TV - a questão de se incluir na revisão do
Código Penal Brasileiro estas duas penas, a nação se vê perplexa diante da
escalada da violência. E, todos os dias assistimos há mais e mais crimes e
assassinatos chocantes.
Recentemente, o parecer de
autoria do Senador Pedro Taques que trata da revisão do nosso Código Penal
(Projeto de Lei 236) recebeu duras críticas de juristas, professores,
advogados, magistrados e membros do Ministério Público, pois “seu conteúdo é
absolutamente incompatível com os princípios fundamentais do Estado Democrático
de Direito”, segundo manifesto de repúdio ao texto apresentado pelo Senador
(Jornal do Brasil, versão on line, 15/04/14).
Ainda segundo o manifesto, “o
trabalho de revisão coordenado pelo mencionado Senador vem agora a público e
surpreende ao manter inalterado ou mesmo promover e incrementar seus vícios
primitivos mais evidentes.”
Então, chegamos à conclusão de
que a revisão do código penal ainda vai demorar, pois, ao que tudo indica, ela
não está de fato agradando a ninguém. E, mesmo que essa revisão um dia saia do
papel, ela, provavelmente, não trará nada de significativo e nem tão pouco
radical em relação aos crimes praticados no Brasil.
E triste e preocupante pensar que
em um país como o nosso, a impunidade, a insegurança e a falta de justiça podem
continuar porque não temos leis e punições à altura dos crimes praticados.
Não quero dizer que deveríamos
adotar a Pena de Morte ou mesmo a Prisão Perpétua, mas, que pelo menos
puníssemos com mais rigor alguns tipos de crimes, como assassinato e outros
crimes hediondos, por exemplo.
Afinal, num relatório das Nações
Unidas divulgado recentemente, o Brasil possui 11 das 30 cidades mais violentas
do mundo. Isso, em minha opinião, é um dado que me entristece e deixa
indignado.
Creio que muitos compartilham
estes mesmos sentimentos comigo.
Mas, estamos no Brasil, em ano de Copa do Mundo. Então, o
que interessa é o Hexa Campeonato Mundial, os estádios grandiosos, construídos
com (muito) dinheiro público. O resto, deixa pra lá.
Pois bem. Assim, para nos salvar,
só mesmo a propaganda eleitoral que virá logo depois da Copa do Mundo, e que
inundará nossas casas, seja pelo rádio, TV ou mesmo internet, prometendo mais
justiça, mais segurança, mais isso, mais aquilo... Ela, afinal, há de nos
acalentar a alma e nos trazer esperança.
Por enquanto, resta-nos, quem
sabe, rezar e pedir a Deus para que nenhum de nós ou algum familiar tenha o
azar de fazer parte da triste estatística de vítimas de crimes cometidos no
Brasil.
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