40 anos depois Jimi Hendrix lança CD com algumas músicas inéditas

Jimi Hendrix ressuscitou no terceiro dia, fumou um baseado, ligou sua guitarra e disse a si mesmo: o sonho acabou mas a vida continua.
No quinto dia após sua morte, ele concede uma entrevista coletiva onde, assombrando os jornalistas, disse que Deus era destro e tocava muito mal. Planos para o futuro, perguntou um jornalista de óculos grossos, cabelo à escovinha e um pouco tímido. Não tenho; vou seguir em frente.
Pouco tempo depois, Jimi foi visto bebendo num bar badalado de Nova York, junto de Miles Davis e umas groupies deliciosas. Miles queria por que queria gravar um disco com ele, mas, Jimi não dava pistas de que seria possível. Vamos Jimi, vamos unir nossas energias. Não sei Miles, eu vi o outro lado, sabe cara? Isso mudou umas coisas em mim, e ouvi uma música, uma música celestial, preciso dessa música. Miles perdeu a paciência e visivelmente irritado deixou Jimi com as groupies e foi embora. Jimi sorriu e disse a uma delas, uma lourinha com rostinho arredondado e jeito de criança, Miles é temperamental, não aceita que eu tenha falado com Deus, e isso não tem nada a ver com ele.
Jimi segue sua vida e vê as coisas acontecendo. Já havia passado mais de cinco anos sem que ele tenha lançado um disco se quer. Todos se perguntam, onde andaria o grande Jimi Hendrix? Porque não lança um disco novo? O que estará produzindo? E Jimi está só no Electric Ladyland, tocando e gravando a mesma coisa, uma música que ele ouviu sendo tocada pelo próprio Deus; uns acordes simples, mas extremamente complexos para um músico, mesmo para ele. Por isso, Jimi tocava, gravava, desgravava, tocava novamente e assim até o dia se tornar noite e a noite se tornar dia. Incansável, ele procurava aquela música sem saber ao certo se conseguiria encontra-la.
A vida seguiu em frente e os meses foram passando, assim como os anos, e veio o Punk Rock, e Jimi nem sequer se assustou com a cauda daquele cometa; e veio a New Wave, e Jimi nem sequer comprou roupas novas; e veio os Anos 80, o Grunge, o Britpop, e o Ecstasy, e tudo o mais... E Jimi, ainda procurava aquela música, trancado em seu estúdio, incomunicável com o resto do mundo, abraçado a sua guitarra, dedilhando acordes, notas que despencavam lentamente e desapareciam em meio à fumaça do seu cigarro.
Quarenta anos depois, sua irmã, entra no estúdio e só encontra uma guitarra e um amplificador, mudos. Nada mais restou de Jimi, todo esse tempo ele esteve compondo e o resultado são 12 músicas que ficaram presas numa fita magnética, num gravador de rolo, um pouco gasto pelo tempo. Jimi não foi encontrado. Nem uma palavra de despedida, apenas um recado escrito num papel e pregado na caixa do amplificador Marshall: “ouça bem alto, assinado: Jimi Hendrix”.

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